O Salão Multiusos da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Caneças recebeu, na quarta-feira à noite, dezenas de pessoas para assistirem à Sessão Solene comemorativa dos aniversários de Caneças: o 93º da criação da Freguesia e o 17º da elevação a Vila. Susana Amador, Presidente da Câmara Municipal de Odivelas esteve presente tendo sido recebida pela formatura do Corpo de Bombeiros Voluntários de Caneças.
A noite começou, como sempre acontece nestas cerimónias em Caneças, com um pequeno concerto da Banda da Sociedade Musical e Desportiva de Caneças que maravilhou os presentes com a sua qualidade técnica e musical, dirigida pelo Maestro Carlos Gomes.
Com forças políticas diferentes na gestão da Câmara e da Junta, os discursos proferidos não se alhearam a essas diferenças e cada um tentou mostrar que era o autor da obra feita. Susana Amador, Presidente da Câmara Municipal de Odivelas, começou no entanto o seu discurso numa tentativa de unidade, dizendo que «Todos os que aqui estamos temos o dever e a responsabilidade, sobretudo como munícipes e apaixonados incondicionais de Caneças, de preservar e valorizar o património único, que é esta Vila, fonte de água, fonte de Vida».
A edil acentuou também que «A maior força deste concelho reside na sua diversidade. Cientes dessa diversidade, desta riqueza e desta responsabilidade de valorizar as freguesias que compõem o nosso município, a Câmara Municipal prossegue uma política de desenvolvimento territorial transversal, assentando a sua intervenção no respeito e potencialização da especificidade de cada uma».
Para Susana Amador não é só de palavras que vive a qualidade, e as palavras embora essenciais, porque proporcionam conhecimento, têm de ter o acompanhamento dos actos «Indispensáveis e elementares tanto pelo cumprimento da promessa feita como da responsabilidade pública de creditar a intervenção que se assume».
A Presidente da Câmara garantiu que em todas as freguesias tem cumprido a sua palavra e «Os actos aí estão para demonstrar esse cumprimento integral». Numa clara alusão a algumas posições da oposição, Susana Amador afirmou que «Estamos apostados em fazer e em concretizar, em vez do reclamar e, com isso, nada fazer».
Fazendo o discurso da obra feita a edil referiu a situação financeira difícil que encontrou em 2005, com Odivelas a ser uma das 70 câmaras mais endividadas do país e que hoje já saiu dessa lista e «É tomada como exemplo nacional pela recuperação orçamental realizada num curto espaço de tempo». No entanto, garantiu Susana Amador, «Fizemos isto sem comprometer investimentos estratégicos» e exemplificou falando da Loja do Cidadão, da Casa da Juventude e dos Julgados de Paz, entre outros, referindo também obra feita na freguesia de Caneças.
Para Susana Amador «Caneças é uma Vila com futuro e deve ser gerida, planeada e sonhada com os olhos postos no futuro» e por isso garantiu «Contem connosco nessa caminhada!».
Armindo Fernandes, Presidente da Junta de Freguesia de Caneças, registou com agrado o começo das obras de beneficiação na sede da Sociedade Musical e Desportiva de Caneças, «Obras bem merecidas e há muito esperadas». O autarca agradeceu à CMO o esforço financeiro para o pagamento destas obras, «Sem o qual ficariam por meras intenções se considerarmos os seus elevados custos», acrescentado que «Este subsídio do município comporta valores que representam um investimento no património de Caneças e da sua população».
O Presidente da Junta também fez o discurso da obra feita referindo os inúmeros apoios concedidos, pela autarquia que dirige, às várias colectividades e instituições da freguesia. «Também poderemos dizer que em Caneças há obra, mas sempre insuficiente para suprir as necessidades de uma terra construída por padrões antigos, agravados por um constante aumento demográfico, fruto das novas urbanizações».
Mais uma vez a intervenção prevista pela CMO para o parque central de Caneças veio à liça com Armindo Fernandes a dizer que «Nós queremos essa obra, mas primeiro discutida e aprovada com a participação da população, em debate público para que todos tenham a possibilidade de opinar sobre aquilo que é seu».
Raul Fernandes, Presidente da Junta de Freguesia foi optimista no seu discurso assinalando o que de bom está a acontecer na freguesia como o início das obras da SMDC e do edifício que será a nova sede da Junta de Freguesia e a entrega do alvará ao bairro dos Carrascais, aguardando que «Os restantes bairros obtenham o mesmo resultado no menor espaço de tempo possível».
Falando também nas obras do parque central, Raul Fernandes disse que o enchem de satisfação «Apesar de me preocupar com os critérios, prioridades e alterações de fundo que irão ser implementadas» deixando o aviso à navegação: «Caneças é, e sempre será, uma terra de boa gente, afável e acolhedora, mas também… sempre muito atenta».
Mónica Martins, da bancada da CDU na Assembleia de Freguesia, lembrou que Caneças foi a única freguesia do concelho a ter dificuldades no início do ano pelo facto de o Orçamento da Junta ter sido rejeitado pela oposição e que «Foram três meses de atraso no lançamento de obras que vinham a ser preparadas».
A representante da CDU criticou também o Protocolo de Delegação de Competências acusando que «As verbas para 2008 são inferiores às transferidas em 2005», contestando também a retirada de parte da publicidade e ocupação da via pública «Com os consequentes prejuízos financeiros para as receitas da Junta». Mónica Martins criticou também os atrasos das obras prometidas pela CMO para Caneças, como a repavimentação de várias ruas, a nova escola no centro de Caneças e as variantes rodoviárias sul e norte. «É de lamentar (Para não usar outro termo) que o caos provocado no centro da Vila não tenha sido resolvido». Pelo seu discurso passaram ainda as obras de beneficiação do cemitério, o atraso na aprovação do novo PDM, a recepção dos bairros já aprovados e a requalificação do parque central de Caneças.
Carlos Vieira, da Bancada do Partido Socialista trouxe ao seu discurso o assinalar dos aniversário de Caneças mas também o 10º aniversário do concelho de Odivelas, dizendo que «Para os mais cépticos pode não ser nada de especial. Pode até parecer que nada mudou nestes dez anos. Temos pena que a cor partidária de alguns, ou a cegueira interessada de outros, não permita ver o muito que tem sido feito, o muito que se tem conseguido, nestes dez anos de município. E, Caneças é disso um grande exemplo».
O representante do PS criticou a Junta afirmando que «Por vezes é mais cómodo para este executivo, fingir que nada se faz, proclamar aos sete ventos, ou diria, ao sete comunicados, que do município de Odivelas nem bons ventos nem bons casamentos».
Carlos Vieira referiu a acutilância da sua bancada na Assembleia de Freguesia e enumerou os vários melhoramentos introduzidos no Orçamento da Junta para 2008, pelo facto de por três vezes ter sido rejeitado também com os votos do PS e graças à aceitação de algumas propostas avançadas pelo Partido Socialista.
O representante do movimento “Todos por Caneças”, José Carvalho, começou por referir que é importante recordar o que foi feito mas que «O importante serão as grandes decisões que terão de se tomar para que Caneças cresça e se desenvolva de forma saudável» e lembrou a remodelação do centro da Vila, o saneamento básico, o PDM e a construção da nova escola primária.
Para José Carvalho «É urgente passar das palavras aos actos e ter a coragem de perspectivar um novo futuro sem pensar que isso nos possa fazer perder votos nas eleições». Para o autarca «Voltados para o passado, será esta terra que perde e todos que nela habitam e levaremos o resto das nossas vidas a lamentarmo-nos do que deveríamos ter feito mas que a bandeira política não deixou».
Carvalho de Matos usou da palavra em nome da Bancada do PSD, referindo a importância da criação da freguesia há 93 anos «Em pleno período de conturbação, designadamente da Primeira Guerra Mundial, o que significa que Caneças era um pólo importante da vida de Portugal» e, por isso, o PSD «Louva os que tiveram a coragem de reconhecer o valor de Caneças, em tais circunstâncias».
Para Carvalho de Matos «Caneças tem história e deve transmiti-la às gerações vindouras, porquanto se o não fizer, vê-las-á definhar e morrer, quedando apenas na memória de alguns e por pouco tempo e na poeira dos tempos, porquanto quem não se reproduz, desaparece inexoravelmente».
Criticando o estado da freguesia, o representando do PSD lembrou uma visita feita há três anos e onde encontrou «Prédios em ruínas, capim por tudo quanto era sítio, esgotos a céu aberto, terras de cultivo regadas com águas de esgotos, cães a vadiar pela Vila e arredores, diversas partes do aqueduto a servirem de suporte a prédios particulares ou cheios de silvas, caminhos em terra batida que mais pareciam picadas africanas do que vias de comunicação de uma Vila às portas da capital. Dois anos depois dessa visita verificou-se que tudo continuava na mesma», acusou Carvalho de Matos.
Texto e fotografias: Henrique Ribeiro
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